O holandês Bert Bunnik, que deverá atuar no Brasil com High Performance Consultant, falou um pouco sobre a atual situação da modalidade no Brasil e a expectativa para os Jogos de 2016. Confira a entrevista na íntegra.
CBHG: Com a sua experiência, em que estágio se encontra o hóquei brasileiro atualmente?
Bunnik: Atualmente, o Brasil ocupa a 40º posição no ranking mundial da modalidade. Nestas duas semanas em que estou aqui, percebi que é possível subir no ranking nos próximos dois anos, mas, para alcançar este objetivo, é necessário treinos intensivos e participar de jogos internacionais. Fisicamente, os jogadores estão no caminho certo para atletas. Experiência específica é possível obter jogando a competição internacional adequada.
CBHG: Qual a expectativa para o avanço da modalidade no Brasil?
Bunnik: Eu acredito que o hóquei já é um grande esporte no mundo inteiro e tem um grande potencial no Brasil. No entanto, o esporte não é conhecido pelo público em geral. Mas, com a mentalidade esportiva do povo brasileiro, o esporte tem um enorme potencial aqui.
CBHG: Tendo em vista sua vivência, o que deve ser feito para alcançarmos a meta?
Bunnik: Antes de tudo, construir campos oficiais para treinos nos cinco estados (Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) onde o hóquei já é praticado. Eu também acredito que seria muito bom desenvolver um Centro de Esporte de Alto Rendimento juntamento com o Comitê Olímpico Brasileiro (COB), além de introduzir o hóquei nas escolas e nas universidades e assegurar-se que haja tacos, bolas e equipamentos de goleiro suficientes no País. Fazer períodos de treinamentos constantes e completá-los com jogos internacionais.
CBHG: Há tempo para estarmos preparados para 2016?
Bunnik: Sim! Há tempo suficiente, mas precisamos trabalhar duro e seguir programas intensos de treinamentos apresentados esta semana ao Ministério do Esporte e ao COB. Disponibilizar a verba necessária e seguimos em frente.
CBHG: O que será feito, primordialmente, nesses três meses que o Sr. atuará no Brasil? É tempo suficiente para conseguirmos o resultado necessário? Há possibilidade de estender este prazo?
Bunnik: Sim, temos tempo suficiente, embora sob pressão, para fazer o planejamento. No entanto, devemos começar a execução imediatamente. O desenvolvimento de atletas requer cuidado e leva tempo. Todo mês perdido, é um mês a menos de trabalho. Planos podem ser feitos em três meses, mas a execução leva mais tempo. Temos que treinar e fazer intercâmbios para jogar partidas internacionais e aprender com equipes que estão melhor posicionadas no ranking. Isso também é necessário para alcançarmos uma melhor classificação no ranking mundial.
CBHG: O que o sr. indicaria para um trabalho de base e desenvolvimento do esporte no Brasil?
Bunnik: Eu acho que tem muito trabalho para fazer na área de desenvolvimento, principalmente na idade júnior. Isso é importante a longo prazo e deve ser executado com a maior atenção possível. Mas também precisamos de mais tacos e bolas de preferência em todas as escolas do Brasil. Campos pequenos e adaptados ajudam no começo, mas depois é necessário migrar para o campo oficial para desenvolver o entendimento do jogo, suas técnicas, táticas, da forma como o jogo é realmente praticado em todo o mundo.
CBHG: Qual a mensagem que o sr. deixaria aos amantes do hóquei no Brasil? E para aqueles que não conhecem a modalidade?
Bunnik: Para os amantes, eu diria que o jogo será muito mais espetacular em campos apropriados e com maior número de treinos e jogos, o que proporcionará maior competição e emoção nesses esporte que é encantador e desafiador. Para os que não conhecem o hóquei digo para assistirem alguma partida na Internet e, depois disso, vá para a um local de prática mais próximo de você. Experimente você mesmo e procure fazer parte de um clube.